quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A INVENÇÃO DO "O"

A INVENÇÃO DO "O"

Na era da pedra lascada



da língua falada


antes de inventarem a letra


que imitava a lua


as palavras diziam nada


e nada levava a nada


(aliás, nem precisava rua).


A frase ficava estática


de maneira majestática


a grandes falas presumíveis


permaneciam indizíveis


- imagens invisíveis


a distâncias invencíveis.


Vivia-se em cavernas mentais


numa inércia dramática.


Ir e vir, nem pensar


ninguém mudava de lugar


que dirá de sintática.


Aí inventaram o "O"


e foi algo portentoso.


Assombroso, maravilhoso.


Tudo começou a rolar


e a se movimentar.


O Homem ganhou "horizontes"


e palavras viraram pontes


e hoje existe a convicção


que sem a sua invenção


não haveria Civilização.


Um dia, como o raio inaugural


sobre aquela célula no pantanal


que deu vida a tudo,


veio o acento agudo.


E o homem pôde cantar vitória.


E começou a História.


(Depois ficamos retóricos


e até um pouco gongóricos).


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